Vale a pena prosseguir

“Agora, pois, eu os entrego aos cuidados de Deus e à palavra da sua graça, que tem poder para edificá-los e dar herança entre todos os que são santificados” (Atos 20:32).

Por volta do ano 57 da era cristã, Paulo parou em Mileto, sudoeste de Éfeso. Chamou os presbíteros da igreja para uma conversa pastoral. Ele era um homem intensamente relacional.

Paulo tinha consciência da brevidade da sua vida. O tom que usou foi grave e sério. Seu olhar estava fixo em Jerusalém. QUAL É A NOSSA JERUSALÉM?

QUAL É O NOSSO O ALVO?

Ir adiante envolve risco.Paulo era um homem totalmente consagrado a Deus. Era um cristão autêntico. “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1:20,21.

Ele enfrentou esse risco porque o Espírito Santo o constrangeu. Foi o evangelho que o moveu a seguir adiante. Contudo, repito, avançar envolve custo e risco.

Há três relevantes afirmativas no  texto da nossa devocional. Elas, se consideradas e aplicadas a nossa vida, farão uma enorme diferença, especialmente neste ano tão diferente que estamos vivendo.

Primeiro, Paulo avançou com a incerteza dos eventos. “Estou indo para Jerusalém, sem saber o que me acontecerá” (V. 22). Paulo estava sempre avançando, mas sem saber o que iria acontecer, conforme percebemos ao ler os textos bíblicos que envolvem sua conversão e vocação. Paulo foi convertido e chamado em Damasco, sem saber o que iria fazer. Em Antioquia, o Senhor Deus separou Paulo e Barnabé sem dizer para onde iriam e o que iria acontecer. (Atos 13). Agora, ao final da terceira viagem missionária, Paulo estava sendo constrangido a obedecer sem saber o que lhe iria acontecer. O Senhor Deus é onipotente, onipresente e onisciente. Nós somos limitados, finitos e plenamente dependentes Dele. Os riscos, entretanto, nos lembram das nossas limitações e da nossa total dependência do Eterno. “Sem mim, nada podeis fazer” (João 15:5). Há ocasiões em que ficamos em pânico, porque não sabemos controlar os eventos. Os riscos reafirmam que nós somos fracos, finitos e dependentes. Entretanto, podemos aceitar as incertezas por causa do que Cristo fez no passado, por causa da Sua obra consumada, por causa de Sua ressurreição e do Seu senhorio. A falta de saber o que vai acontecer é o que Deus usa para nos fazer depender constantemente Dele (Salmo 25). Deus se agrada em nos colocar na posição de ir sem saber. Deus aprecia nos colocar em situações arriscadas, pois nos coloca na posição do exercício da fé. Ele usa tudo isso para o nosso bem e para a Sua glória. O Senhor Deus está nos ensinando a andar  pela fé e não por vista. 

Segundo, Paulo avançou preparado para as dificuldades. “Só sei que, em todas as cidades, o Espírito Santo me avisa que prisões e sofrimentos me esperam”.   (V. 23). Paulo não sabia o que iria acontecer à sua vida, em sua totalidade. Sabia, porém, que ocorreriam tribulações. Como bem sabemos, as tribulações fazem parte da vida. Contudo, a gente não quer ter dificuldade nenhuma. Geralmente, a gente quer distância das dificuldades, do desconforto.

Porém, há uma verdade que precisamos considerar: As dificuldades nos reconectam à simplicidade do evangelho. Nós não seremos poupados de riscos. Porém, não estamos sozinhos. Ele está conosco.

Em terceiro lugar, Paulo avançou porque valorizava o chamado do evangelho da graça acima de sua própria vida (v. 24). Ele também valorizava o evangelho acima dos relacionamentos. Paulo amava aqueles líderes, de Éfeso, porém amava o evangelho acima deles, por isso, partiu. Ainda é verdadeiro acrescentar que, Paulo amava o evangelho acima dos frutos. Ele não servia com base na possibilidade dos frutos, simplesmente queria ser encontrado fiel.

O evangelho é tão digno, tão glorioso, que vale a pena prosseguir. É glorioso fazer parte dele.

Meus irmãos, estamos comemorando neste dia 21 de abril de 2020, os 148 anos da Igreja Presbiteriana da Bahia. Planejamos uma festa espiritual para este dia, entretanto, nem podemos nos congregar. E mais, nem sabemos até quando isto durará. Contudo, temos confortadoras certezas, e uma delas é que sabemos quem está conosco e quem é que tem em Suas mãos as rédeas da história. Sendo assim, avancemos com a incerteza dos eventos, mas com a convicção de que a boa mão do Senhor dirige o nosso destino.

Lutas e tribulações nos aguardam. Entretanto, na dependência Dele, viveremos para a Sua glória.

Valorizemos o evangelho, até mesmo acima da nossa vida.

Ao Senhor toda a glória.

No amor de Jesus.

Lutero Rocha.



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