Coram Deo

Jeremias 5:1-31

“A vida deve ser vivida coram Deo, perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para a glória só de Deus” (R. C. Sproul).

Coram Deo é uma expressão teológica, em latim, cunhada no século XVI, no contexto da Reforma Protestante. Os reformadores entenderam   ser dever dos cristãos, o viver, a cada momento, com a consciência da presença de Deus. Não apenas durante as atividades eclesiásticas, mas também nas ações cotidianas, no trabalho, na escola, no lazer, em todo lugar, a qualquer hora, todos os dias, com a consciência da presença de Deus.

“Esta é a coisa fundamental, a mais séria de todas: que estamos sempre na presença de Deus”, ensinou o Dr. Martyn Lloyd-Jones.

No período medieval era muito comum a ideia de compartimentar a vida entre o sagrado e o profano; entre o religioso e o não religioso. A distorção da verdade promoveu um tipo de espiritualidade empobrecida que não conseguia conectar a mensagem do evangelho com a vida.

A compreensão de que devemos viver diante do Deus Santo, que tem olhos tão puros que não pode ver o mal, como escreveu o profeta Habacuque, representa o despertamento e o chamado para o andar íntegro, diligente e piedoso.

Abraham Kuyper foi um político, jornalista, estadista e teólogo holandês. Ele disse: “Onde quer que o homem esteja, seja o que for que faça, ou no que aplique a sua mão, na agricultura, no comércio, na indústria, ou sua mente, no mundo da arte, e ciência, ele está, seja onde for, constantemente diante da face de Deus, está empregado no serviço de Deus, deve obedecer estritamente a seu Deus e acima de tudo deve ter como alvo a gloria de Deus”. Pela graça do Senhor, na vida de Kuyper, isto não ficou apenas no discurso; ele aprendeu a viver para a glória de Deus. Baseado nessa ideia ele fundou jornais, um partido político, uma universidade, escreveu muitos livros, foi professor, pastor, primeiro ministro, jornalista, escritor e diretor.

Voltando à nossa realidade, infelizmente, este princípio tem se perdido com muita facilidade em nossa caminhada cristã. Tem sido muito comum descambarmos para a prática de um cristianismo que tem dogma, mas lhe falta a prática. Em outras palavras, um cristianismo subjetivo, que só é percebido, ou vivido, quando estamos em momentos de culto público ou na prática das atividades devocionais, mas que nada tem a ver com a vida diária.

Carecemos, urgentemente, voltar ao cristianismo autêntico das Escrituras, o cristianismo motivado pela glória de Deus. E isto se faz com quebrantamento, arrependimento, confissão e abandono das transgressões.

“Deem uma volta pelas ruas de Jerusalém, olhem, investiguem, procurem nas suas praças para ver se acham alguém, se há uma pessoa que pratique a justiça ou busque a verdade. Se acharem, eu perdoarei a cidade” (Jeremias 5:1).

“Por que não me temem?” – diz o Senhor. “Por que não tremem diante de mim?” (Jeremias 5:22).

Misericórdia, Senhor!

Lutero Rocha



Leave a Reply

Your email address will not be published.

*
*
*